Frei Gilson

Por: Priscila Siqueira (Fraternidade de São José dos Campos e Litoral Norte Paulista)

Irmãs e irmãos da Fraternidade do Irmãozinho Carlos,


É verdade: dentro de nossa Igreja Católica encontramos pregadores com posições totalmente conflitantes. Se de um lado contamos com a profecia e coragem de um Casaldáliga ou uma Dorothy Stang, temos também vozes que em nome de Deus dão interpretações ao Evangelho que ficam difíceis de aceitar.

 

Para mim é o caso do Frei Gilson, membro dos Carmelitas Mensageiros do Espírito Santo. Ele tem um grande aceitação nas redes sociais com suas músicas e pregações. Uma de suas falas me deixou assustada.

 

Conforme seu discurso, a mulher quer sempre mais poder. Frei Gilson usou mesmo a palavra “empoderamento” que nada mais significa a superação por parte da mulher da opressão de nossa sociedade machista.

Não sei se ele aceita como normal a violência contra a mulher tão comum na sociedade não só brasileira, mas também internacional.

 

Com todo respeito e sem duvidar que honestamente é isso que ele erroneamente acredita, sua postura frente às Escrituras parece a de um membro de uma Igreja Fundamentalista que leva a leitura da Bíblia ao pé

da letra, sem analisar o simbolismo que existe em suas palavras e a época e cultura de quando foram escritas.

 

Além disso, parece que ele ignora o verdadeiro sentido das palavras do hebraico original como “ezer kenegdo“ que o frei Gilson  traduz como “auxiliar”, demonstrando uma posição de subordinação da mulher ao homem. Quem relata isso é o teólogo Dr. Jansen Rocco.

 

Para esse teólogo, a palavra hebraica deve ser entendida como “parceira forte”, “parceira complementar”, tradução que não implica em subordinação de um gênero ao outro, mas complementaridade, igualdade. Não à toa que Adão teria dito à Eva tu és “ossos de meus ossos, carne de minha carne”.

 

Gênesis foi um livro escrito por muita gente, em 500 anos antes de Cristo. O povo hebreu estava escravizado na Babilônia e seus anciões e anciãs…, ficaram preocupados que seus jovens perdessem sua identidade cultural, perdessem a noção de onde haviam vindo. Então começaram a escrever a gênesis, o começo de seu povo.

 

Muita gente durante muito tempo escreveu esse livro pois há mais de uma versão sobre esse início. Uma diz “macho e fêmea” Deus os criou. Outra, conta a história de Adão e Eva. Aí , a mulher aparece como vilã. Foi ela que levou o pobre Adão (um tanto quanto ingênuo…) ao pecado e à expulsão do Paraíso. Fora dele, Adão e Eva viveriam a dor, o sofrimento e a morte.

 

O que esquecemos é que a fonte do pecado, a Árvore do Bem e o Mal, não era o sexo. Sexuados eles já eram; era, simbolicamente, o desejo de ser igual a Deus, tendo poder sobre o outro.

 

O discurso de frei Gilson se mostra muito preocupado com a moralidade. Sua grande preocupação é a pureza da alma. Daí ele perceber a mulher como a grande tentadora, a que leva o macho ao pecado com sua sexualidade e glamour.

 

 Interessante, meus queridos, ele faz parte dos Carmelitas Mensageiros do Espírito Santo. Será que ele não se dá conta que “Espírito Santo” é uma palavra feminina, traduzida no grego pelo neutro e no latim pelo masculino?!...

 

 Espírito Santo é a tradução hebraica para a palavra “Ruah” que significa o Feminino de Deus!…Isso me lembra o que o Papa João Paulo I disse dias antes de morrer: “Deus é mais Mãe do que Pai”.


Veja também nossos boletins aqui





Postar um comentário

0 Comentários