CONCLAVE (O FILME)
Irmãs e irmãos da Fraternidade Leiga do Irmãozinho Carlos,
Recomendo a todos que não
assistiram ao filme Conclave, que o façam.
Esse filme ganhador de Oscar
de 2025 na categoria de melhor roteiro adaptado, trata de um assunto muito
atual e que nos toca de forma muito pessoal: A escolha de um novo Papa da
Igreja Católica.
Nos dias em que vivemos, com a
doença de Francisco que traz tantas conjecturas e interrogações de quem o
sucederia caso viesse a falecer, o filme mostra situações semelhantes a que
temos agora: Um Papa atento aos problemas atuais do mundo, onde a injustiça
permeia as relações sociais e que desagrada os setores conservadores de nossa
Igreja. Setores conservadores que não entendem ou não querem entender que o
Papa abra o coração da Igreja a todos, héteros ou homos, à maior participação
da mulher na estrutura eclesial, aos pobres e oprimidos do planeta.
E esses setores da ultradireita
eclesial querem um novo Papa que os represente e às suas ideias.
Eu sempre achava que o
conclave que escolhia o novo Papa era fechado totalmente com os cardeais que
fazem dele fazem parte. O filme me mostrou que para que essas eminências possam
decidir sua melhor escolha, eles não trabalham. Quem trabalha são principalmente
as freiras que cozinham, lavam e passam, arrumam os quartos e sempre permanecem
invisíveis, nem um “bom dia” ou “obrigado” elas recebem dos homens, o filme
mostra isso. Se é verdade, eu não sei…
Infelizmente a realidade é bem
mais complexa que um filme. Na coluna de Jamil Chade, no UOL, ele mostra que a
diplomacia norte americana, juntamente com deputados da base conservadora do
presidente Trump e uma rede de entidades e religiosos tentam influenciar a
escolha do novo Papa, mesmo que Francisco supere sua doença.
Trump escolheu como embaixador
dos EU na Santa Sé, Brian Berch. Esse personagem já havia feito declarações
graves contra Francisco chamando-o de populista, criador de confusão
“permitindo o casamento de pessoas do mesmo sexo”, e que Francisco teria flexibilizado
a doutrina católica. Colocá-lo como embaixador na Santa Sé é um ato explícito
de agressão por parte de Trump.
Burch deixou claro que
pretende trabalhar com os líderes conservadores dentro do Vaticano. Para o
presidente dos EU, é fundamental que o próximo Papa seja conservador e valide
suas medidas como a expulsão dos imigrantes de seu país, coisa que Francisco não
faz e denuncia como crime e pecado. Afinal, Trump teve uma grande votação dos
católicos conservadores em sua última eleição e teme que com as posições de
Francisco ou um novo Papa como ele, seus eleitores católicos venham a repensar
melhor suas escolhas políticas.
Irmãs e irmãos no Mestre
Jesus, vejam como a política internacional se imiscui em todos os setores da
sociedade. Nem o Vaticano escapa. Trump não satisfeito de querer o canal do
Panamá e anexar o Canadá e a Groenlândia para instaurar a “Grande América”,
também quer pressionar e influenciar os destinos de nossa Igreja desvirtuando os ensinamentos
de nosso Metre Jesus.
Como evitarmos que tal desgraça aconteça?!...No filme, o sinal de esperança acontece quando uma porta se fecha após algumas religiosas alegres e falantes passarem por ela. Acredito que a cena quer dizer sub-repticiamente que a solução da Igreja esteja na maior participação das mulheres dentro dela, quando a era de opressão em que vivem finalmente fecha as suas portas.
Imagem de divulgação do filme disponível em:
Postar um comentário
0 Comentários